Newton por Godfrey Kneller

Você já ouviu falar na maçã que caiu em Isaac Newton? Conta a lenda que depois de ter a cabeça atingida enquanto estava sentado debaixo de uma macieira, Newton descobriu a gravidade – força responsável não só por fazer frutas caírem na cabeça das pessoas, mas por manter a Lua girando em torno da Terra e todo mundo com os pés no chão. Apesar desta estória de maçã caindo na cabeça ser repetida tantas vezes pelos professores de ciências, não foi bem assim que aconteceu.

Vamos entender melhor esta tal de gravidade? Para isso é preciso entender os experimentos feitos por Newton “com ouro, prata, chumbo, vidro, areia, sal, água, madeira e trigo, usando duas caixas de madeira, redondas e iguais” e deixando as caixas caírem de uma mesma altura. Ao observar estes materiais, percebeu que eles sempre caem em direção ao centro da Terra. E se perguntou o porquê disso. Afinal, por que as caixas não caíam para cima ou para o lado?

A resposta é que existe uma força atrativa em toda matéria. Se matéria atrai matéria, deve ser em proporção à quantidade. Quanto mais massa um corpo tiver, maior é a força que ele exerce sobre os outros corpos. A atração da Terra sobre você é maior do que a da Lua, pois o nosso planeta tem mais massa do que seu satélite. Essa mesma força prendendo seus pés ao chão, atrai a Lua o suficiente para ela ficar em órbita, sem se chocar com a Terra.

A maçã, nesse caso, representa um objeto terrestre qualquer. Newton constatou que ela – assim como qualquer outro objeto no planeta – é atraída pela Terra da mesma forma que a Lua – um objeto celeste. Assim Newton mostrou que uma mesma força – a gravidade – é responsável pelo movimento em ambos espaços e conseguiu unificar as físicas celeste e terrestre, até então separadas por questões religiosas. Antes da descoberta da gravidade, acreditava-se que os corpos se moviam de uma forma no céu e de outra debaixo dele. Isso porque o céu era o espaço do divino e da perfeição, enquanto a Terra era imperfeita.

Corpos que caem

A prova principal da gravidade é o simples fato de não sairmos voando por aí… Mas só a partir de experimentos e medidas foi possível descrever como essa força funciona. O principal experimento como vimos constatou que os objetos sempre caem em direção ao centro da Terra. Mas Newton também percebeu que dois corpos com massas diferentes caem da mesma altura em tempos iguais, se a resistência do ar aos dois objetos também for igual. Uma folha de papel sofre a resistência do ar e quando cai parece flutuar, caindo mais devagar do que uma bola de futebol, por exemplo. Newton utilizou duas caixas iguais para controlar seu experimento, sem que este fosse afetado pela resistência do ar.

Se dois corpos de pesos diferentes caem ao mesmo tempo, como ficou demonstrado, então não é apenas a massa destes corpos fazendo-os cair. Tudo depende da massa de “quem” está puxando, no caso do experimento com as caixas, a massa da Terra. Mas também existe uma força puxando nosso planeta em direção ao Sol, por exemplo. Esta força – chamada gravidade – atua sobre todos os corpos, na Terra ou fora dela.

Além disso, se a gravidade não existisse, a Lua em vez de orbitar a Terra se moveria em linha reta em direção ao infinito. O mesmo ocorreria com a Terra, que não manteria sua órbita ao redor do Sol. Você também não ficaria preso ao chão, mas sairia voando. Apesar de invisível, a gravidade – força essencial do universo – afeta todos os objetos e corpos no planeta e além. Fica até difícil imaginar como seria o universo sem a gravidade.

Massa e distância

Imagem: Harman Smith e Laura Generosa, NASA.

A força da gravidade é o produto da massa de um objeto pela massa do objeto que o atrai, dividido pelo quadrado da distância entre eles. Ou seja, quanto mais perto está um objeto, maior sua força de atração. Isso explica por que não saímos flutuando em direção ao Sol. Pois, apesar da massa do Sol ser muito maior do que da Terra, ele está muito longe e, portanto, a gravidade terrestre supera a atração do Sol e não nos deixa flutuar em direção a ele. Mas, se você passar muito perto do Sol (em uma nave espacial, por exemplo) será atraído diretamente para as chamas solares.
Da mesma forma, uma pessoa – que tem massa muito menor do que o Sol – apesar de atrair o astro rei, não o faz cair como uma gigante maçã de fogo em nossas cabeças, pois a atração é muito fraca e não provoca nada perceptível.
Portanto, podemos perceber como a gravidade afeta nossas vidas cotidianas. Ela pode até fazer uma maçã cair em nossas cabeças, enquanto descansamos sob uma árvore. Mas, com ou sem maçã, o importante é notar a contribuição de Newton para o campo da ciência.
E se você ainda duvida da gravidade, faça o teste: deixe dois objetos de pesos diferentes caírem e veja se eles não caem com a mesma velocidade. Mas lembre-se das condições de vento e da resistência do ar. O melhor é utilizar objetos com formato parecido, mas com pesos bem diferentes, por exemplo, uma caixa cheia de algodão e outra, cheia de areia.

A vida de Newton

Sir Newton por Kneller

Isaac Newton nasceu em 4 de Janeiro de 1643, no condado de Lincolnshire, Inglaterra. Mas, pelo calendário usado na Inglaterra na época, Newton nasceu no dia 25 de Dezembro. Filho de fazendeiros, o cientista, físico e matemático nunca conheceu seu pai, morto três meses antes do filho nascer.
Estudou na escola King’s School, onde era um aluno mediano. Entretanto, depois de uma briga com um colega de classe, começou a se esforçar mais nos estudos. Passou então a ser um dos melhores alunos da escola. O sucesso nos estudos levou Newton a entrar na Faculdade Trinity, em Cambridge, onde servia outros alunos em troca de uma bolsa de estudos paga pela faculdade.
Newton se interessava pelos pioneiros da ciência, como o filósofo Descartes e os astrônomos Copérnico, Galileu e Kepler. Depois de formado, Newton fez estudos em matemática e foi eleito professor da matéria em 1669. Em 1670, começou a dar aulas de ótica. Nesta época demonstrou como, através de um prisma, é possível separar a luz branca nas cores do arco-íris.

Em 1679, o cientista inglês voltou-se para mecânica e os efeitos da gravitação sobre as órbitas dos planetas. Para isso partiu das leis de Kepler sobre o movimento dos planetas. Em 1687, publicou o livro Principia Mathematica, em que demonstrou as três leis universais do movimento. Ele usou a palavra grega gravitas (que significa peso) para definir sua lei da gravitação universal. Com este livro, Newton ganhou reconhecimento mundial.

Newton foi sagrado cavaleiro da coroa britânica pela Rainha Anne, em abril de 1705. Como nunca casou ou teve filhos, quando morreu em 31 de março de 1727, Newton não deixou herdeiros. Seus estudos são sua maior herança para a humanidade . Estes continuam sendo aplicados e celebrados até hoje.

A lenda da maçã

Primeira edição de Principia Mathematica.

A história da maçã de Newton apareceu pela primeira vez em Elementos da Filosofia de Newton, escrito por Voltaire e publicado em 1738. Neste livro, Voltaire – que admirava muito Sir Isaac e suas teorias – apresentou uma clara e admirável interpretação das ideias newtonianas.

A lenda da maçã foi espalhada pela sobrinha do cientista inglês, Catherine Barton Conduitt, e seu marido, que viveram com ele nos últimos anos de vida do cientista. Além disso, o próprio Newton contou ao estudioso William Stukeley ter sido inspirado por uma maçã caindo em seu quintal – e não em sua cabeça – a investigar a teoria da gravitação. Stukeley relata a conversa que teve com Newton no livro Memória de Sir Isaac Newton, publicado em 1752. Esse incidente cotidiano serviu para inspirar uma teoria capaz de mudar o mundo para sempre.

Matemática da gravidade

Newton e a maçã, por Andrew Gray.

O peso de um objeto varia de acordo com a gravidade atuando sobre ele. Portando, se formos a outros planetas, apesar de termos a mesma massa, teremos peso diferente. Isso por que o peso é o produto da massa pela gravidade naquele planeta (P = m x g). Onde a gravidade é menor, como na Lua ou em Marte, o seu peso é menor. Por isso quando os astronautas pousaram na Lua eram capazes de dar grandes saltos. Mas em planetas como Júpiter, onde a gravidade é maior, você é muito mais pesado.
A constante gravitacional de um planeta pode ser calculada dividindo-se o peso de um objeto por sua massa (g = P/m). Este valor será o mesmo para todos os objetos em um mesmo planeta. Da mesma forma podemos calcular a aceleração de um corpo (P/m = aceleração). No planeta Terra, a aceleração da gravidade é 10 metros por segundo ao quadrado. Ou seja, a cada segundo, um corpo se move dez metros mais rápido.

A aceleração da gravidade é a aceleração de um corpo sujeito apenas à força da gravidade. Foi uma grande surpresa para os cientistas descobrir que a aceleração da gravidade é constante para todos os corpos em um planeta. Acreditava-se que quanto maior a massa, maior seria sua aceleração. Mas, novamente, a ciência mostrou que o senso comum estava errado.

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Bagunçando o clima

agosto 23, 2010

Em espanhol, meninos são chamados de niños e meninas, de niñas. Mas quando alguém fala em El Niño e La Niña, está falando de dois fenômenos climáticos. O nome El Niño é uma referência ao menino Jesus, e foi escolhido por pescadores porque o fenômeno ocorre com mais frequência antes do Natal. Já o La Niña ganhou o nome menina, por ser o oposto do El Niño.

Assim como meninos e meninas, El Niño e La Niña podem causar muita bagunça. Crianças bagunçam a casa e os quartos, mas esses fenômenos climáticos bagunçam o clima e os oceanos. Se crianças fazem bagunça quase todo dia, El Niño e La Niña só acontecem a cada tantos anos.

Menino quente

El Niño no Verão. CPTEC.

O El Niño é um aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico Tropical em conjunto com enfraquecimento dos ventos alísios. Este aquecimento se dá principalmente na costa do Peru – onde afeta o trabalho de pescadores, diminuindo a quantidade de peixes na região, onde em geral são abundantes.

El Niño no inverno. CPTEC.

Entretanto, as consequências são sentidas em diversas partes do mundo. O aumento da temperatura e a variação da quantidade de chuvas são os principais efeitos do fenômeno.

No Brasil, esse mesmo fenômeno diminui as chuvas – nas regiões Norte e Nordeste – e também as aumenta – na região Sul. Os efeitos do El Niño no Norte e Nordeste agravam as secas e aumentam os incêndios na floresta Amazônica. Já o aumento das chuvas no sul do país causa prejuízos aos agricultores. Além disso, faz a temperatura subir em todo país.

Menina fria

La Niña no verão. CPTEC.

La Niña no inverno. CPTEC.

O La Niña também pode ser conhecido como El Viejo (o velho, em espanhol) e Anti-El Nino. Entretanto, La Niña é o nome mais utilizado. É o fenômeno oposto ao El Niño. Invés de aquecimento há um resfriamento das águas do oceano Pacífico Tropical e invés de enfraquecimento, há um fortalecimento dos ventos.

Os principais efeitos em nosso país são: aumento das chuvas na região Nordeste e queda das temperaturas na região Sudeste, durante o verão, e um inverno mais seco nas regiões Sul e Sudeste.

Passado e futuro

Em 1982-83 e 1997-98 ocorreram as manifestações mais intensas do El Niño já observadas. O La Niña se manifestou com maior força em 1988-89, 1995-96 e em 1998-99. Os episódios do La Niña duram menos tempo e são menos frequentes do que os do El Niño.

Diferentemente da bagunça feita em casa, os efeitos do El Niño e La Niña não podem ser arrumados. Pois são naturais e voltam a ocorrer a cada tantos anos. Mas se estudarmos mais a meteorologia talvez sejamos capazes de prever melhor quando esses fenômenos vão ocorrer. Você já pensou em ser um meteorologista?

Fontes de informação:

CPTEC

El Niño (em inglês)

La Niña (em inglês)

Trem-bala brasileiro

agosto 9, 2010

Trem-bala japonês. Foto:Baka Onigri
Trem-bala japonês. Foto:Baka Onigri

Você já ouviu falar no trem-bala? É um transporte de alta velocidade, que alcança mais de 300 quilômetros por hora. De tão rápido, um trem pode chegar ao seu destino antes de um avião. O Brasil vai construir sua primeira linha de trens de alta velocidade, ligando São Paulo ao Rio de Janeiro. O governo quer tudo pronto para as Olimpíadas de 2016.

O primeiro trem de alta velocidade foi construído na Itália, antes da 2ª Guerra Mundial. O percurso era de Milão a Nápoles, passando por algumas das cidades mais importantes do país. Alcançou velocidade de mais de 200 quilômetros por hora.  A guerra parou o desenvolvimento das linhas e destruiu muitos trens.

Entretanto, os trens de alta velocidade ganharam o apelido de trem-bala no Japão, por causa do formato do trem e de sua rapidez. A frente é alongada, lembrando uma bala (munição para armas de fogo). A primeira ferrovia para trens de alta velocidade deste país ficou pronta em 1964, em tempo para as Olimpíadas de Tókio. Por estar em uma área onde moram muitas pessoas, o trem se mostrou economicamente viável desde sua criação.

Maglev

O trem mais rápido existente fica na China e atinge uma velocidade de 350 quilômetros por hora. Para isso, utiliza tecnologia de levitação magnética, ou Maglev. Nesse sistema, os trens não rodam, levitam. Graças a potentes imãs chamados magnetos, o trem não toca no trilho. Japão e Alemanha são os maiores pesquisadores desta tecnologia.

Diferentemente de trens comuns, não há locomotiva nos trens Maglev. Os próprios magnetos no trilho são responsáveis pela locomoção. Assim, quase não há desgaste ou atrito e a manutenção fica muito mais barata do que em outros sistemas, apesar da construção ser mais cara. Os trens de alta velocidade japoneses não utilizam esta tecnologia e rodam sobre rodas eletrificadas. Entretanto, o Japão já anunciou a construção de 300 quilômetros de trilhos Maglev.

Outra grande vantagem dos trens de alta velocidade é que eles só utilizam eletricidade para se mover, enquanto as tradicionais locomotivas queimam carvão e fazem uma poluição danada. A eletricidade necessária para fazer os magnetos funcionarem pode vir de fontes não poluentes, como as usinas atômicas, por exemplo. As mesmas razões levaram à construção de linhas similares na Europa e China. Mas o trem-bala japonês continua sendo o mais utilizado de todos, devido à enorme população nipônica.

Trem olímpico

O governo brasileiro acaba de lançar um concurso para construir uma linha de trem-bala ligando São Paulo ao Rio de Janeiro. Empresas do mundo inteiro estão interessadas em construir essa linha. Quem oferecer o melhor preço vai ganhar o direito de construir e operar o trem-bala brasileiro. O objetivo do governo é construir os 510 quilômetros de trilhos de Maglev necessários em cinco anos. Assim, os trens já poderiam ser utilizados durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.
Quando ficar pronto, a viagem entre as duas capitais levará apenas 93 minutos (1 hora e meia). Ou seja, dezessete minutos a mais do que se formos de avião. De carro leva-se cinco horas e, de ônibus, pouco mais de seis horas. Além disso, viajar de trem vai sair bem mais barato do que ir de avião. O trem sairá do Rio e, depois de passar por São Paulo, continuará até Campinas. Outras paradas também estão programadas.

 Trajeto Rio-Campinas Mapa: Limongi e Danilo Mac 
Trajeto Rio-Campinas Mapa: Limongi e Danilo Mac

Tecnologia brasileira

O Brasil está desenvolvendo uma tecnologia própria de levitação magnética. O Maglev Cobra está sendo desenvolvido pela COPPE – Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia – na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Apesar de ainda não alcançar as altas velocidades das outras tecnologias (atualmente a velocidade do Cobra é de 70 quilômetros por hora) e, portanto, não servir para ligar uma cidade à outra, é uma boa solução para o transporte urbano.

Assim como os outros sistemas de Maglev, é uma tecnologia limpa e ecológica. Além disso, sua construção e operação são muito mais baratas em comparação ao metrô. Uma linha para testes está sendo construída no campus da UFRJ.

Três formas de levitar:

Suspensão eletrodinâmica (SED): Tecnologia desenvolvida pelo Japão. Utiliza eletromagnetos (imãs) no trem e nos trilhos. Alcança as maiores velocidades dentre os três sistemas. Entretanto, precisa de rodas enquanto o trem acelera e ainda está com velocidade baixa. É necessário resfriar as bobinas responsáveis pelo campo magnético nos trilhos.

Suspensão eletromagnética (SEM): A Alemanha desenvolve esta tecnologia. Os eletromagnetos ficam apenas no trem e repelem os trilhos, feitos de aço. Este sistema alcança velocidades quase tão altas quanto o SED. Sua grande vantagem é não precisar de rodas em baixas velocidades.

Levitação magnética supercondutora (SML): Ainda não tem versão comercial. Os eletromagnetos no trilho devem ser resfriados com nitrogênio líquido. O Brasil desenvolve esta tecnologia através do projeto Maglev Cobra, na UFRJ. Assim como o sistema alemão, dispensa o uso de rodas. Acredita-se que possa chegar às altas velocidades dos outros dos sistemas, mas atualmente isto é economicamente inviável. Sua aplicação principal é o transporte urbano.



Foto: NURC/UNCW e NOAA/FGBNMS

Os polvos são moluscos marinhos, possuem oito braços, dois olhos e três corações. Os braços possuem fortes ventosas capazes de agarrar animais e sentir o gosto do que tocam. Os olhos são muito sensíveis, mas a visão das cores varia de espécie para espécie. O coração principal bombeia sangue através do corpo, enquanto os dois corações secundários enviam sangue para dentro das guelras.
Assim como outros cefalópodes (membros da classe Cephalopoda), polvos não têm esqueleto ou espinha dorsal. São, portanto, invertebrados. Todo o corpo é mole, com exceção do bico, semelhante ao de um papagaio, que é duro.

Defesa e fuga

Polvos são predadores e, portanto, caçam animais para se alimentar. Seus alimentos incluem crustáceos e outros invertebrados marinhos. Porém, também são presas de outros animais, como tubarões, enguias e golfinhos. Para escapar dos seus predadores, escondem-se ou fingem não ser o que são, camuflando-se.
A camuflagem é possível graças a células especializadas, que mudam a cor aparente da pele. Certas espécies combinam camuflagem com flexibilidade para imitar pedras, algas,ou animais mais perigosos, como moréias ou cobras-do-mar. A mudança de cor serve também para comunicação e faz parte do ritual de acasalamento.

Propulsão a jato. Foto: Albert Kok

Entretanto, se for descoberto, um polvo conta ainda com outras defesas. A maioria é capaz de soltar jatos de tinta preta para confundir seus predadores, facilitando a fuga do animal de oito braços. Feita principalmente de melanina – a mesma substância responsável pela cor da pele e cabelos nos seres humanos. A nuvem resultante tem um forte cheiro e atrapalha animais que usam o olfato para caçar, como tubarões. Por muito tempo os sacos de tinta dos cefalópodes eram a principal origem da maioria das tintas utilizadas.
Há espécies que desprendem seus braços para facilitar uma fuga, assim como lagartixas fazem com seus rabos. Os braços desprendidos distraem os predadores, que tentam comê-los. Mais tarde, o polvo pode regenerar membros perdidos. Essa forma de defesa é conhecida como autotomia.
Confundir o predador – atirando com jatos de tinta ou soltando membros – é apenas a primeira etapa da fuga. Depois de criar uma distração para seus predadores, esse interessante molusco aciona sua propulsão a jato e se distancia rapidamente do perigo. Para isso o povo conta com um órgão especial – o funil (ou sifão). Este órgão é usado por cefalópodes para se locomover expelindo e direcionando água. Além de usar o funil, polvos podem nadar ou caminhar sobre dois ou mais braços.

Reprodução

Polvo larval. Foto: Matt Wilson/Jay Clark, NOAA

A prática do canibalismo (alimentar-se de membros da própria espécie) é muito comum entre polvos. Portanto, para se reproduzir, a fêmea precisa liberar um feromônio sexual que atrai e impede o parceiro de devorá-la. Depois de um longo ritual de acasalamento, o macho introduz seus espermatóforos (uma espécie de pacote de espermatozóides) através de um braço especializado. Este braço possui na ponta uma depressão em forma de colher. Alguns meses depois de copular, o macho morre.
Em algumas espécies, a fêmea forma cachos com milhares de ovos, parecidos com um cacho de uvas, prendendo-os dentro de tocas nas rochas.Enquanto maturam, a futura mãe protege os ovos de predadores e sopra correntes de água para que haja oxigênio suficiente. Quando os filhotes nascem, ela está muito fraca e morre logo depois. Após saírem dos ovos, os filhotes flutuam entre nuvens de plâncton e se alimentam de larvas de estrelas-do-mar e de caranguejos. Quando já estão maiores, vão para o fundo do mar.

Inteligência

Apesar de não terem espinha dorsal, os polvos têm um sistema nervoso altamente desenvolvido. São considerados os invertebrados mais inteligentes do planeta. Já ficou provado, através de experimentos em que polvos resolvem problemas, que eles têm memória de curta e longa duração. Quando colocado em um labirinto, um polvo aprende o caminho na primeira tentativa e, depois, vai direto até a saída.
Além disso, polvos conseguem usar ferramentas simples e até mesmo abrir potes fechados. Não se sabe, porém, se toda essa sagacidade é de fato aprendida individualmente ou simples fruto de instinto animal.
Tamanha é a inteligência desses animais que, no Reino Unido, eles são considerados vertebrados honorários. Pelo mesmo motivo, em alguns países, eles só podem ser operados com uso de anestesia. Pois de outra forma o cefalópode sentiria dor.

Espécies e habitat

Polvo colossal por Pierre Denys de Montfort

A maioria dos polvos vive no fundo do mar, em quase qualquer profundidade. Entretanto algumas espécies passam parte de sua vida na superfície dos oceanos. Em geral, preferem mares temperados. Porém, as espécies maiores vivem em mares mais frios.
O polvo gigante do Ártico e o polvo de sete braços disputam o título de maior polvo dos mares. O maior polvo encontrado tinha 4 metros e pesava 75 quilos: era um polvo de sete braços. Alguns cientistas acreditam que o polvo gigante pode ficar ainda maior. Já o menor polvo conhecido habita o Oceano Índico e mede apenas um centímetro e meio. Algumas pessoas procuram espécies pequenas para seus aquários. Quando se torna animal de estimação, a famosa inteligência dos polvos pode trazer problemas para seus donos. Afinal, é capaz de levantar a tampa e escapar do seu aquário. Se houver oportunidade, o espertinho pode entrar em outro aquário e até mesmo comer os bichos que encontrar por lá.
Existem quase 300 espécies de polvo conhecidas. Talvez existam mais algumas escondidas em grandes profundidades. Você não gostaria de descobrir uma espécie desconhecida pela ciência? O biólogo que descobre uma nova espécie tem o privilégio e a honra de escolher o nome dela.

Deepwater Horizon. Foto: US Coast Guard

Você já tentou misturar água e óleo (ou azeite)? Eles não se misturam… Tudo o que não se mistura com água é chamado insolúvel. Mas se misturarmos água com leite (ou suco), tudo vai se misturar, formando um único líquido. Por isso, dizemos que o leite é solúvel. 

 O petróleo – assim como o óleo – é insolúvel. Mas, diferentemente do óleo utilizado para cozinhar, o petróleo serve para muitas coisas. A principal delas é produzir combustível para carros e outros automóveis. Até mesmo os foguetes utilizam petróleo para voar até a lua. Por isso ele é tão importante. 

 Mas por ser insolúvel o petróleo também pode ser muito perigoso. Como não se mistura com a água, se for jogado ao mar pode fazer uma sujeira enorme. Os bichos que vivem no mar sofrem muito com isso, os peixes não conseguem respirar e acabam morrendo. Os pássaros ficam com as penas cheias de petróleo e podem se afogar. A situação também fica ruim para as pessoas que vivem na praia. Os pescadores, por exemplo, encontram mais dificuldades para pescar e podem ficar sem ter o que comer.

Mais de dez maracanãs

Pelicanos sujos. Foto:IBRRC

Infelizmente, tudo isso acaba de acontecer no planeta Terra! Uma empresa – a British Petroleum – estava retirando petróleo do fundo do mar, no Golfo do México, e por acidente o óleo todo começou a vazar. E continua vazando há quase um mês. O problema ainda não foi resolvido e, enquanto cientistas e governantes procuram uma solução, mais de 400 mil barris de petróleo já foram derramados no mar. Enchendo o Maracanã até a boca – como se fosse uma banheira gigante – precisaríamos de dez estádios e meio para guardar tanto petróleo.
Para muitos, este é o maior desastre ambiental de todos os tempos. Nada menos que 400 espécies de animais estão em risco devido ao óleo derramado.  Entre os mais afetados estão peixes e aves. A maior parte das aves migratórias (pássaros que precisam mudar de região durante o inverno) dos Estados Unidos descansa onde aconteceu o acidente. Como o lugar está todo sujo de óleo, esses pássaros não têm onde repousar depois de seus longos voos pelo mundo.

O Atum Azul é outro animal em risco. O derramamento de óleo aconteceu justamente onde o peixe faz a desova e isso trará graves consequências para a reprodução da espécie. A época da desova está chegando e, com o mar ainda todo sujo, os novos peixinhos não terão onde nascer. Daqui para frente, os pescadores vão encontrar muita dificuldade para pescar atum e podem ficar sem trabalho. Além disso, este delicioso pescado não vai chegar à mesa de quem quiser saboreá-lo.

 É claro que um desastre tão grande como este está causando muita dor de cabeça por aí. O presidente dos Estados Unidos, Barrack Obama, quer que a empresa responsável resolva o problema o mais rápido possível. Mas como o vazamento aconteceu numa área muito profunda do mar, não é fácil tampar o buraco. Além disso, o petróleo se espalhou completamente e já cobre uma área imensa de água. Os cientistas precisam não apenas tapar o buraco para interromper o vazamento, mas também recolher todo o petróleo que já vazou. E nós sabemos que tirar óleo da água não é nada fácil…

Um alerta para todos nós

Mar de óleo. Foto: Greenpeace

Não é só nos Estados Unidos que se explora petróleo no fundo do mar. Empresas brasileiras – como a Petrobras – também vão a águas profundas atrás de petróleo. Se um desastre como o do Golfo do México acontecesse na Bacia de Campos, no estado do Rio de Janeiro, a mancha de óleo já teria atingido as praias de Copacabana e Ipanema. Assim, nenhuma criança poderia brincar ali. Além disso, peixes, aves e crustáceos seriam afetados.

Dependendo da época do ano, baleias ou tartarugas também sofreriam as consequências do acidente. Durante o inverno, esta parte do oceano serve de passagem para as baleias e, durante o verão, as terras próximas são abrigo para a desova de tartarugas. Por isso, este acidente deve servir de alerta para que nada assim aconteça de novo, em lugar nenhum do mundo. 

Além de sujar a água, o petróleo polui o ar, quando é queimado nos motores dos carros. Por isso, muitos cientistas querem substituí-lo pelos chamados combustíveis limpos, que prejudicam menos o meio ambiente, como o álcool. A gasolina vem do petróleo, mas o álcool vem de plantas, como a cana-de-açúcar. Além de não sujar tanto as águas, o álcool vem de plantações, que “limpam” o ar ao capturar gás carbônico durante a fotossíntese. Mesmo assim, empresas insistem um usar petróleo como principal forma de combustível, porque com ele têm mais lucros e ficam mais ricas.

Enquanto as pessoas discutem todos esses problemas em busca de uma solução, os animais – que não podem discutir nada – permanecem sofrendo. O desastre no Golfo do México já afetou muitos peixes, pássaros, tartarugas, caranguejos… A lista não acaba mais. São seres vivos que não podem se defender e dependem do homem para continuar vivendo no planeta Terra.

Você sentiu frio ultimamente? É o inverno que chegou e, com ele, chegaram o frio e as gripes. Para não ficar resfriado é importante tomar alguns cuidados. Para saber mais como se prevenir entre e leia esta matéria.

Quando chega o inverno, as pessoas ficam gripadas com mais facilidade. A gripe é fruto de um vírus, chamado influenza e, durante esta estação do ano, o vírus da gripe circula mais facilmente. Isso acontece por que o ar fica mais seco, a temperatura cai e passamos mais tempo em ambientes fechados.

Os principais sintomas da gripe são febre, nariz entupido, tosse, dor de garganta e dores no corpo. Os sintomas aparecem poucos dias depois do vírus entrar no corpo da gente e costumam durar uma semana. Por ser uma infecção autolimitada, quem é atacado pela gripe fica bom sem precisar de remédios. Mas, em alguns casos um resfriado pode ficar mais grave. O melhor é ficar esperto para o vírus da gripe não te pegar.

Cuidados

A melhor forma de se proteger da gripe é ter higiene e uma boa alimentação. A vitamina C – presente naturalmente em laranjas e mangas, mas também em comprimidos – ajuda a reforçar o sistema imunológico – responsável por nos proteger de todo tipo de doença. Se uma pessoa não estiver bem alimentada, é mais fácil adoecer.

O vírus da gripe é transmitido de forma direta, através das gotinhas de saliva da pessoa gripada. Quando ela fala, boceja ou espirra, o vírus se espalha pelo ar. Mas também pode haver transmissão indireta, por meio das mãos. Se você encostar em qualquer coisa contaminada pelo vírus, uma caneta mordida por alguém gripado ou apertando a mão de quem acabou de espirrar, por exemplo, e depois levar a mão aos olhos, nariz ou boca, vai se contaminar pela influenza.

O vírus pode ficar vivo no ambiente por até 72 horas e, em objetos, por até 10 horas. Portanto, o melhor é lavar as mãos com água e sabão sempre que possível. Principalmente antes de comer e quando chegar em casa. Com esse cuidado tão simples fica bem mais difícil para o vírus te pegar.

Outra forma de proteção é se vacinar. Desde 1999, o Brasil faz todos os anos campanhas de vacinação para idosos. As crianças também podem se vacinar, mas aí a vacina não é grátis. Isso por que o sistema imunológico nos mais velhos é mais fraco do que nas crianças. Uma simples gripe pode ser muito mais perigosa para o vovô e a vovó.

Tratamento

O Ministério da Saúde recomenda não tomar remédios por conta por conta própria. Segundo Márcia Carvalho, coordenadora do setor de doenças respiratórias do Ministério, a melhor forma de tratamento é beber muito líquido – seja água, suco, leite ou o que você preferir. Além disso, uma boa alimentação e repouso são essenciais. Portanto, se pegar uma gripe nada de ir jogar bola.

(Fonte: Ministério da Saúde)

Banda argentina se apresenta no Rio

A banda portenha Violentango apresentou-se na loja de discos cult Plano B, no Rio de Janeiro nestas quinta e sexta-feira. Mas os cariocas não são os únicos que podem conferir esta inusitada mistura entre rock e tango. A turnê está no Brasil desde março e eles fazem shows aqui até o final de Abril. Depois levam a turnê “Rock de Nylon 2010” para a Europa, onde tocarão inclusive no lendário festival de Glastonbury.

Quem quiser conferir a lista de apresentações ou ouvir algumas músicas basta entrar no myspace deles (www.myspace.com/violentango1). O som vigoroso da banda formada em 2005 é resultado de uma mistura de Astor Piazzola com Radiohead, principais influências, segundo o percursionista Santiagdo Cordoba. O próprio nome Violentango é uma mistura, de tango com violento. A música deles é mesmo violenta, pesada, como costuma ser o bom e velho rock and roll.

Misturar tango com ritmos internacionais já foi feito com muito sucesso pelo grupo francês Gotan Project. Mas o trabalho desta banda não influenciou os portenhos. Com um repertório todo instrumental, Cordoba não vê espaço para influências eletrônicas. Além do rock, ritmos como blues e jazz também estão presentes nesta salada musical de difícil definição.

Violentango já vendeu 25 mil cópias dos três álbuns lançados. Destes, 20 mil foram vendidos na rua. A banda nasceu e começou a tocar na rua mesmo. Assim, sem gravadora ou horários certos, definiram o espírito da banda. O resultado os levou para tocar por boa parte da América Latina e Europa. Depois do show descontraído no Plano B, passaram o chapéu para contribuições voluntárias, no melhor estilo cigano.

Catástrofe desgovernada

abril 9, 2010

Dentre aqueles com desejo de serem eleitos no Estado do Rio para governá-lo, estava entre apenas dois. De fato não existem mesmo muitas opções para os fluminenses, mas para não dar nomes, posso dizer apenas desses dois: um governa, ou melhor, diz governar (mas a recente crise e a resposta a ela mostram o contrário) e o senador verde.

Minha dúvida persistiu até o abatimento dessa cruel catástrofe sobre o nosso Estado. Não tanto pela catástrofe e suas terríveis conseqüências, mas pela reação do atual morador do Palácio Laranjeiras. Sobre a catástrofe não havia dúvidas: nunca tinha visto nada pior.

É fácil de entender a falta de compreensão dele com a população das favelas destruídas. Afinal de contas quem mora em palácio pode não entender como é dura a vida de quem tem sua casa numa área irregular.

Não foi a insensibilidade o mais impressionante, mas a ignorância em matéria de história do Brasil expressada quando afirmou ser culpa dos próprios mortos dessa tragédia que já dura dias a morte deles. Quem é formado em jornalismo precisa estudar muita história e assim descobrir que o problema das construções em áreas de risco (mesmo tendo outro nome) vem do final do século XIX.

Por causa, em primeiro lugar, pela forma como foi feita a abolição da escravidão aqui. Depois vieram os soldados da jovem república brasileira que após a afirmarem voltaram para o Rio de Janeiro e construíram sobre o Morro da Providência a primeira favela. O nome favela ficou devido a uma planta cultivada no local e também chamada assim.

Desde então não foi tomada providência alguma. Governo após governo, ditadura após ditadura, o problema das favelas nunca foi resolvido e assim também não se resolvia o problema das construções em áreas de risco. Em geral os governos simplesmente colocam a culpa nas gestões anteriores. Por essa lógica os políticos culpa, retroativamente, não só a criação da república, mas a criação de Portugal, muito antes do Descobrimento do Brasil.

Colocar a culpa em outros não resolve, é claro. Ao invés de assumir a culpa de não estar mais preparado para a possibilidade de uma tragédia ou quem sabe até mesmo resolver o problema das favelas e fazer um grande programa de habitação e transporte público (ao invés de obras inúteis, superfaturadas e demagógicas como há muito são feitas), ele preferiu continuar a colocar a culpa nos outros. Só inovou na escolha do bode expiatório, os próprios mortos. Diferentemente de políticos adversários (e hoje, na política brasileira, esse termo adversário é bem relativo), esses nunca voltaram para reclamar.

Pronac promete solucionar os problemas da Lei Roaunet

O projeto de lei 6772 foi criado pelo executivo para responder às inúmeras críticas à Lei Rouanet (8.313/91). O projeto prevê a criação do Procultura (Programa Nacional de Formento e Incentivo â Cultura) e revoga a legislação vigente sobre o assunto. O objetivo é diversifar, ou seja, democratizar. Se aprovado – e parece que vai – o jeito de produzir cultura em todo país será transformado.
As principais duas queixas contra a Lei Rouanet são a mesma: concentração. A região Sudeste abocanha 60% da produção. Assim como nas mãos de poucos produtores (3%) cae 50% dos recursos captados. A causa disso é a grande liberdade para as empresas privadas escolherem quem patrocinam, mesmo sabendo da dedução de imposto. Dedução esta paga pelo governo (quando deixa de arrecadar) e, em última instância, pelo contribuinte.

Entra Procultura, sai Pronac

Com o atual Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) basea-se principalmente no incentivo fiscal. Portanto não há gestão do processo ou controle social. Além disso, segundo pesquisa do IBGE e do MinC a grande maioria da população está excluida das atividades culturais. Para sanar esse problema já foi criado o Vale-Cultura. Este é similar ao vale-refeição, mas podendo ser utilizado apenas para consumir cultura.
Tanto o Vale-Cultura quanto o Procultura serão implementado pelo Fundo Nacional da Cultura (FNC) e este receberá pelo menos 40% do orçamento do Ministério da Cultura. De acordo com o orçamento de 2010 são R$800 milhões. Deste total 30% serão destinados a fundos estaduais e municipais. Favorecendo o deslocamento do eixo da maioria dos investimentos.
Assim é resolvido o problema da concentração no Sudeste. Para resolver a concentração na mão de poucos produtores colocam-se os projetos sob a análise de mais de 500 especialistas. Segundo o ministro interino da Cultura, Alfredo Manevy, o fundo vai dar preferência a quem tem mais dificuldade para bater à porta das empresas em busca de patrocínio. Mas isso não exclui os “consagrados”. O interesse público será levado em conta.

Contingenciamento

O projeto foi elaborado a partir de contribuição da sociedade e assinado por quatro ministros, o da Cultura, Juca Ferreira; do Planejamento, Paulo Bernardo Silva; da Fazenda, Guido Mantega e da Justiça, Tarso Genro. Os ministros partiram do pressuposto que o modelo o Pronac não atende às necessidades da cultura brasileira.
O projeto não elimina o incentivo fiscal feito por empresas públicas ou privadas. Entretanto promete acabar com o chamado guichê único. Pois a Lei Roaunet era única forma de conseguir financiamento. Segundo Manevy, os recursos justificam as mudanças propostas. “São esses R$800 milhões que justificam a reforma da Roaunet, já que a renúncia deixa de ser o único guichê.”
Entretanto esse enorme quantia não afasta um antigo medo dos produtores culturais. O contingenciamento é quando dinheiro estipulado em orçamento não é liberdado. Isso acontece frequentemente no governo. Assim mesmo aprovado o projeto pode não atender às expectativas não só de quem trabalha com cultura, mas de todos os brasileiros excluídos do consumo cultural.

              cruzsous

Cruz e Sousa nasceu em 1861 e apenas 24 anos depois publicou seu primeiro livro de poesias, Tropos e Fantasias. O maior poeta simbolista do Brasil, afastou-se do então prestigiado Parnasianismo e seus “clacissimos” em função de uma poesia sonora e imagética. Sua escolha voltava-se para a própria subjetividade do autor, para o seu “eu”, ou ainda, para sua individualidade.

              Foi justamente o direcionamento para a subjetivida indivual razão e causa de seu sucesso; como observou um ensaísta francês chamado Roger Bastide: “Cruz e Sousa construiu só com o seu cérebro, o seu mundo poético, elabora, isento de qualquer influência, a sua própria experiência simbólica”, ou ainda antes, por Victor Vianna, em 1923: o poeta “exprimindo um estado de alma pessoal, tem larga repercussão geral”. Esta repercussão só veio após a morte por tuberculose em 1898.

              O simbolismo manteve-se à margem da literatura endossada pela academia da êpoca, somente sendo reconhecido no Brasil mais tarde. A procura por um caminho próprio, ao renegar o tradicional e o cânone, exprimia uma atitude individualista. Afinal, como escreveu Ian Watt:

 

              Em muitas definições psicológicas, o termo “individualismo equivale à egosísmo, indicando uma total independência interna do indivíduo em relação às outras pessoas ou às instituições; (…) nos primórdios, individualismo não era essencialmente um termo psicológico; era fundamentalmente, e ainda é, uma especificação social; (…) Vários países e períodos históricos têm sido apontados como individualistas.

 

              Entretanto faz um ressalva logo adiante: “…individualismo como algo que começou com uma base cristã, (…) em que cada indivíduo seria uma entidade moralmente autônoma. (…) É um fenômeno do mundo ocidental”.

              Cruz e Sousa recebeu essa formação ocidental, possibilitada por generosos senhores brancos, ainda no perído da escravidão brasileira. A Lei Áurea só aboliria a escravidão em 1888, quando o poeta já tinha completado sua educação e publicado seu livro de estréia.

              Vida sofrida, morte prematura, origem escrava e negro em um país escravocráta e racista; nada disso impediu o gênio de Cruz e Sousa de manifestar-se. Fundamental para este sucesso de um indivíduo contra tantas dificuldades foi a educação dada pelo ex-senhor branco Guilherme de Sousa, Marechal-de-Campo que adotou o poeta ainda criança e de quem este adotou o sobrenome.

              Como mostrou o também poeta Paulo Leminski, apesar das dificuldades óbvias, o contraste entre origem negra e educação branca não foram problema: “Cruz e Sousa superou o dilaceramento entre os antagonismos de ser negro no Brasil (mão-de-obra) e dispor do mais sofisticado repertório branco de sua época (o “Espírito”)”.

             

Simbolismo e Romântismo

 

              A identificação do individualismo com o movimento Romântico não afasta o simbolista brasileiro do mesmo; ao invés disso, aproxima-o. Novamente quem explica melhor é o poeta Leminski: “… sabemos que o Simbolismo é apenas uma das modulções possíveis do Romantismo. Uma modulção extrema: são os romãnticos mais radicais”.

              O Romantismo iniciado na Alemanha adaptara-se bem, apesar de tardiamente, ao Brasil, gerando três gerações de poesia e prosadores. A temática romântica de heróis e oprimidos encontra eco na própria figura e vida de Cruz e Sousa. Afinal, sendo negro, ex-escravo e poeta de qualidade inconstéste, apesar de não ter alcançado o merecido reconhecimento ainda em vida, ele é tanto oprimido quanto herói. A sua foi uma história sofrida, mas é também a história da vitória de um homem contra uma sociedade opressora através do seu valor individual.

              O poeta ficou conhecido como “Cisne Negro”, e pode até ser visto como um símbolo da luta pelos direitos do negros no Brasil; mas em sua obra não aparece a preocupação com a temâtica social, como aparecera no Romântismo e na obra Castro Alves, por exemplo. Cruz e Sousa prefere abordar outros temas, indo do sensualismo ao macabro e passando sempre pela cor branca.

              Entretanto, o traço mais marcante da obra, não é temático, mas estilístico: a preocupação com a sonoridade e, principalmente, o uso abundante da figura de linguagem chamada aliteração (repetição de vogais ou consoantes ao longo de um verso ou poema). Uma famosa estrofe do poema Violões que choram… contruída com aliterações da letra “v” talvez seja uma das mais sonoras e belas passagens da poesia brasileira e continua a encantar leitores até os dias hoje.

 

Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.

 

              Concluindo, se analisarmos a vida e obra de Cruz e Sousa podemos vê-la como um fruto do individualismo ocidental no Brasil, justamente no final do sec. XIX, período de grandes mudanças no Brasil, reponsáveis por aproximá-lo da modernidade. Assim, podemos apreciar a obra deste poeta não só pela sua qualidade estética, mas também através de um viés sociológico.