O novo programa de cultura do Brasil
fevereiro 3, 2010
Pronac promete solucionar os problemas da Lei Roaunet
O projeto de lei 6772 foi criado pelo executivo para responder às inúmeras críticas à Lei Rouanet (8.313/91). O projeto prevê a criação do Procultura (Programa Nacional de Formento e Incentivo â Cultura) e revoga a legislação vigente sobre o assunto. O objetivo é diversifar, ou seja, democratizar. Se aprovado – e parece que vai – o jeito de produzir cultura em todo país será transformado.
As principais duas queixas contra a Lei Rouanet são a mesma: concentração. A região Sudeste abocanha 60% da produção. Assim como nas mãos de poucos produtores (3%) cae 50% dos recursos captados. A causa disso é a grande liberdade para as empresas privadas escolherem quem patrocinam, mesmo sabendo da dedução de imposto. Dedução esta paga pelo governo (quando deixa de arrecadar) e, em última instância, pelo contribuinte.
Entra Procultura, sai Pronac
Com o atual Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) basea-se principalmente no incentivo fiscal. Portanto não há gestão do processo ou controle social. Além disso, segundo pesquisa do IBGE e do MinC a grande maioria da população está excluida das atividades culturais. Para sanar esse problema já foi criado o Vale-Cultura. Este é similar ao vale-refeição, mas podendo ser utilizado apenas para consumir cultura.
Tanto o Vale-Cultura quanto o Procultura serão implementado pelo Fundo Nacional da Cultura (FNC) e este receberá pelo menos 40% do orçamento do Ministério da Cultura. De acordo com o orçamento de 2010 são R$800 milhões. Deste total 30% serão destinados a fundos estaduais e municipais. Favorecendo o deslocamento do eixo da maioria dos investimentos.
Assim é resolvido o problema da concentração no Sudeste. Para resolver a concentração na mão de poucos produtores colocam-se os projetos sob a análise de mais de 500 especialistas. Segundo o ministro interino da Cultura, Alfredo Manevy, o fundo vai dar preferência a quem tem mais dificuldade para bater à porta das empresas em busca de patrocínio. Mas isso não exclui os “consagrados”. O interesse público será levado em conta.
Contingenciamento
O projeto foi elaborado a partir de contribuição da sociedade e assinado por quatro ministros, o da Cultura, Juca Ferreira; do Planejamento, Paulo Bernardo Silva; da Fazenda, Guido Mantega e da Justiça, Tarso Genro. Os ministros partiram do pressuposto que o modelo o Pronac não atende às necessidades da cultura brasileira.
O projeto não elimina o incentivo fiscal feito por empresas públicas ou privadas. Entretanto promete acabar com o chamado guichê único. Pois a Lei Roaunet era única forma de conseguir financiamento. Segundo Manevy, os recursos justificam as mudanças propostas. “São esses R$800 milhões que justificam a reforma da Roaunet, já que a renúncia deixa de ser o único guichê.”
Entretanto esse enorme quantia não afasta um antigo medo dos produtores culturais. O contingenciamento é quando dinheiro estipulado em orçamento não é liberdado. Isso acontece frequentemente no governo. Assim mesmo aprovado o projeto pode não atender às expectativas não só de quem trabalha com cultura, mas de todos os brasileiros excluídos do consumo cultural.
INDIVIDUALISMO EM CRUZ E SOUSA
dezembro 9, 2009

Cruz e Sousa nasceu em 1861 e apenas 24 anos depois publicou seu primeiro livro de poesias, Tropos e Fantasias. O maior poeta simbolista do Brasil, afastou-se do então prestigiado Parnasianismo e seus “clacissimos” em função de uma poesia sonora e imagética. Sua escolha voltava-se para a própria subjetividade do autor, para o seu “eu”, ou ainda, para sua individualidade.
Foi justamente o direcionamento para a subjetivida indivual razão e causa de seu sucesso; como observou um ensaísta francês chamado Roger Bastide: “Cruz e Sousa construiu só com o seu cérebro, o seu mundo poético, elabora, isento de qualquer influência, a sua própria experiência simbólica”, ou ainda antes, por Victor Vianna, em 1923: o poeta “exprimindo um estado de alma pessoal, tem larga repercussão geral”. Esta repercussão só veio após a morte por tuberculose em 1898.
O simbolismo manteve-se à margem da literatura endossada pela academia da êpoca, somente sendo reconhecido no Brasil mais tarde. A procura por um caminho próprio, ao renegar o tradicional e o cânone, exprimia uma atitude individualista. Afinal, como escreveu Ian Watt:
Em muitas definições psicológicas, o termo “individualismo equivale à egosísmo, indicando uma total independência interna do indivíduo em relação às outras pessoas ou às instituições; (…) nos primórdios, individualismo não era essencialmente um termo psicológico; era fundamentalmente, e ainda é, uma especificação social; (…) Vários países e períodos históricos têm sido apontados como individualistas.
Entretanto faz um ressalva logo adiante: “…individualismo como algo que começou com uma base cristã, (…) em que cada indivíduo seria uma entidade moralmente autônoma. (…) É um fenômeno do mundo ocidental”.
Cruz e Sousa recebeu essa formação ocidental, possibilitada por generosos senhores brancos, ainda no perído da escravidão brasileira. A Lei Áurea só aboliria a escravidão em 1888, quando o poeta já tinha completado sua educação e publicado seu livro de estréia.
Vida sofrida, morte prematura, origem escrava e negro em um país escravocráta e racista; nada disso impediu o gênio de Cruz e Sousa de manifestar-se. Fundamental para este sucesso de um indivíduo contra tantas dificuldades foi a educação dada pelo ex-senhor branco Guilherme de Sousa, Marechal-de-Campo que adotou o poeta ainda criança e de quem este adotou o sobrenome.
Como mostrou o também poeta Paulo Leminski, apesar das dificuldades óbvias, o contraste entre origem negra e educação branca não foram problema: “Cruz e Sousa superou o dilaceramento entre os antagonismos de ser negro no Brasil (mão-de-obra) e dispor do mais sofisticado repertório branco de sua época (o “Espírito”)”.
Simbolismo e Romântismo
A identificação do individualismo com o movimento Romântico não afasta o simbolista brasileiro do mesmo; ao invés disso, aproxima-o. Novamente quem explica melhor é o poeta Leminski: “… sabemos que o Simbolismo é apenas uma das modulções possíveis do Romantismo. Uma modulção extrema: são os romãnticos mais radicais”.
O Romantismo iniciado na Alemanha adaptara-se bem, apesar de tardiamente, ao Brasil, gerando três gerações de poesia e prosadores. A temática romântica de heróis e oprimidos encontra eco na própria figura e vida de Cruz e Sousa. Afinal, sendo negro, ex-escravo e poeta de qualidade inconstéste, apesar de não ter alcançado o merecido reconhecimento ainda em vida, ele é tanto oprimido quanto herói. A sua foi uma história sofrida, mas é também a história da vitória de um homem contra uma sociedade opressora através do seu valor individual.
O poeta ficou conhecido como “Cisne Negro”, e pode até ser visto como um símbolo da luta pelos direitos do negros no Brasil; mas em sua obra não aparece a preocupação com a temâtica social, como aparecera no Romântismo e na obra Castro Alves, por exemplo. Cruz e Sousa prefere abordar outros temas, indo do sensualismo ao macabro e passando sempre pela cor branca.
Entretanto, o traço mais marcante da obra, não é temático, mas estilístico: a preocupação com a sonoridade e, principalmente, o uso abundante da figura de linguagem chamada aliteração (repetição de vogais ou consoantes ao longo de um verso ou poema). Uma famosa estrofe do poema Violões que choram… contruída com aliterações da letra “v” talvez seja uma das mais sonoras e belas passagens da poesia brasileira e continua a encantar leitores até os dias hoje.
Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
Concluindo, se analisarmos a vida e obra de Cruz e Sousa podemos vê-la como um fruto do individualismo ocidental no Brasil, justamente no final do sec. XIX, período de grandes mudanças no Brasil, reponsáveis por aproximá-lo da modernidade. Assim, podemos apreciar a obra deste poeta não só pela sua qualidade estética, mas também através de um viés sociológico.
Entrando na caixa de luz
outubro 5, 2009
Lightbox sugnifica caixa de luz. É exatamrnte esta a sensação ao entrar neste club. Existem milhares de LEDs (Light-emitting diode ou diodo emissor de luz) em todas as paredes e no teto da pista de dança. Comandados eletronicamente para criar um show de luzes. Forma desenhos em cores e modifica-se constatemente. Assim a experiência do VJ (Video Jockey – responsável por criar imagens para acompanhar shows.) é levada a um novo patamar de sensações.
O club fica em Vauxhal, sul de Londres. É ao lado do Fire, um notório club gay. São dos mesmos donos e há inclusive uma passagem entre ambos. A atmosfera do Lightbox permaçe hetero e mais comportada em comparação ao Fire. Afinal, além de curtir as luzes que dão nome ao club, os frequentadores lá parecem ir mesmo para escutar boa música e dançar até de manhã.
Ministry of Sound agita sul de Londres
setembro 25, 2009

Provavelmente é o maior e mais moderno club da atualidade. O Ministry of Sound é situado no bairro Elephant and Castle, sul de Londres. Atrae semanalmente milhares de pessoas de toda cidade e do mundo. Agitando desde 21 de Setembro de 1991.
Já na fila percebe-se a elegância do local. Vestidinhos pretos e ternos dão o tom da multidão. A entrada não é barata, mesmo para os padrões londrinos. Muitas vezes passa de vinte libras. Logo presume-se que os clientes tenham dinheiro para gastar. Limosines deixando estonteantes herdeiras na porta confirma que sim.
Após entrar e deixar casacos vê-se um verdadeiro club cinco estrelas. Ou melhor, vê-se apenas o primeiro de quatro ambientes. O mais famoso de todos chama-se Box por ter caixas de som bombardeando a pista de dança por todas as direções. A sensação proposta é a de estar dentro de uma caixa de som. Funciona. Tão bem que na entrada há um aviso: Cuidado! Níveis de som excessivo.
As festas vão até de manhã. Durante toda a noite rola muita música eletrônica. House, Techno ou Drum n Bass; dependendo da noite e da festa. Muitos DJs de reconhecimento internacional tocam neste club e ele nunca está vazio. Afinal, falamos é do ministério do som; e ministério é coisa séria.
O que é jornalismo de precisão?
abril 28, 2009
Jornalismo de Precisão
O norte-americano Philip Meyer foi quem propôs a metodologia do jornalismo de precisão, um caminho diferente do novo jornalismo dos anos 60 que utilizava técnicas literárias. Em seus livros Precision jornalism: a reporter´s introduction to social science methods e The new precision jornalism, publicados em 1973 e 1991, constatou que o número de habilidades necessárias à formação de um jornalista vinha crescendo.
Meyer pretendia aplicar métodos científicos de investigação social e psicossocial à prática do jornalismo. As aplicações das técnicas de “RAC” (Reportagem Assistia por Computador ou, em inglês, CAR – Computer Assisted Reporting) devem ser entendidas dentro deste contexto de aproximação entre jornalismo e ciência, proposto pelo jornalismo de precisão.
Técnicas instrumentais
As principais técnicas de “RAC” são a navegação e busca na Internet, utilização de planilhas de cálculo e bancos de dados, que servem para colher e processar informação. A busca na internet é feita através de sítios que utilizam palavras-chaves. Os mais conhecidos são o Google e o Yahoo, mas existem outros, como o Kartoo.
O principal obstáculo são as referências irrelevantes. Outra dificuldade é a confiabilidade, já que não é possível saber se o conteúdo de um sítio é verdadeiro. Os sítios de maior credibilidade são os governamentais.
Planilhas de cálculo distribuem dados em colunas com linhas e funcionam como uma calculadora eletrônica sofisticada, capaz de fazer operações matemáticas em segundos. A mais utilizada é a Excel do Microsoft Office.
Uma operação freqüente é a transformação de valores absolutos em porcentagens, dando origem a pautas e documentação que possibilitam afirmações conceituais. A capacidade de converter os dados em gráficos é um ótimo recurso, pois permite melhor visualização da informação. Os dados podem ser importados de tabelas divulgadas por qualquer meio. A boa utilização das planilhas pode gerar a credibilidade necessária para uma boa reportagem.
Bancos de dados permitem armazenar e organizar grande volume de informação em forma de números, textos ou fotografias, facilitando a comparação de diferentes informações. O programa mais comum para fazer um banco de dados é o Access do Microsoft Office.
Um repórter especializado em determinada área pode colecionar bancos de informação. Muitos jornalistas o utilizam para facilitar o arquivamento de informação ao fazer “livros-reportagem”. No livro A Reportagem, Nilson Lage aconselha levar a lógica dos bancos de dados para todo arquivamento feito no computador, evitando a bagunça.
Conclusão
O desenvolvimento da “RAC” nos Estados Unidos é feito, em grande parte, pela NICAR (Instituto Nacional para Reportagem Assistida por Computador) que, até o início de 1999, havia treinado 12 mil repórteres (LAGE, 2001). No Brasil há uma enorme lacuna neste campo do conhecimento que só a partir de 2001 a ABRAJI começou a preencher.
A importância da “RAC” e sua utilidade enquanto técnica científica aplicada ao fazer jornalístico é um sinal da necessidade da metodologia proposta por Meyer no jornalismo contemporâneo.
O jornalismo de precisão não se resume à “RAC”, sendo este último um conjunto de técnicas, enquanto o primeiro é uma tentativa de transformar a formação de jornalistas, centrando-a em três habilidades: como encontrar a informação, como avaliá-la e analisá-la e como transmiti-la de modo à suplantar o ruído e chegar ao público. Portanto, adotar a metodologia do jornalismo de precisão é uma aproximação com as ciências exatas.
Blade Runner, ficção e pós-modernismo
abril 21, 2009
Um marco na história da ficção científica

Se analisarmos o filme “Caçador de Andróides” (Ridley Scott, 1982, Blade Runner) à luz dos textos de Nelson Brissac Peixoto, “O futuro do passado” e “O olhar do estrangeiro”, parece ser possível inseri-lo não só na história da ficção científica, mas também no próprio conceito de pós-modernidade . Brissac, ao mapear a ficção científica, encontra dois momentos distintos e diferentes, porém ambos com grande importância para o gênero: a década de 50 e a de 80.
Durante os anos 50, o futuro sonhado é repleto de tecnologia e os filmes são uma celebração do moderno. Trinta anos depois, eram mais comuns os remakes de filmes antigos do que novos sonhos futurísticos. Assim passou-se a sonhar com um futuro que já se sabia ultrapassado e improvável, mas que tinha sido possível na imaginação de gerações passadas. A explicação de Brissac para tal ocorrência é “o paradoxo de uma época sem futuro fazendo ficção científica”. A dificuldade pós-moderna de sonhar um futuro capaz de atingir a utopia através da ciência é devida, em grande parte, aos desastres causados pelas duas Guerras Mundiais. O medo de que a ciência se volte contra o ser humano e aniquile-o impede os sonhos de um futuro perfeito e abre espaço para pesadelos futurísticos cada vez mais sombrios e complexos. O fôlego do gênero parecia enfraquecido.
Entretanto, ainda era possível revitalizar o gênero e foi isso que fez Scott com Blade Runner. Ao invés de buscar algo totalmente novo, Scott preferiu formulas simples e clichês. Com muitas seqüências e cenas que parecem tiradas de filmes policiais, o diretor consegue trazer fôlego e tensão para o gênero de ficção científica. Porém o que mais diferencia este filme dos feitos dos anos 50, é que “Caçador de Andróides” não é focado na tecnologia, mas sim no lado humano e nas conseqüências sentimentais da invenção de novas máquinas e técnicas.
A Los Angeles futurística apresentada no filme é uma cidade totalmente multiétinica; sua arquitetura é uma colcha de retalhos, composta por prédios de todas as épocas e estilos. Como se fosse pelo efeito visual de estar movendo-se em alta velocidade, a paisagem parece achatada, fazendo com que toda cidade inteira pareça um cenário bidimensional. As cores são escuras, como se a noite fosse constante, e fazem lembrar a vanguarda expressionista. A miséria presente em cada esquina desta cidade confirma uma visão decadente do futuro, onde a tecnologia é incapaz de dar fim aos problemas sociais e destrói a natureza
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Clones sentimentais
O filme aborda, em 1982, um tema que atualmente costuma ocupar páginas de jornal: a clonagem. Os personagens chamados de ‘replicantes’, são uma espécie de clone, com tempo de vida muito menor do que humanos normais, mas capacidades físicas e mentais sobre-humanas. Estes clones são perfeitos estrangeiros, pois, como um anjo que resolve tornar-se humano, não viveram nada. É por isso que o líder dos ‘replicantes’, antes de morrer, revela ao seu perseguidor que viu coisas inimagináveis para o ser humano. Afinal, em tempos em que a repetição de imagens consegue destruir os sentidos delas mesmas e os signos ficam sem contexto, só quem não viveu poderia olhar o mundo com inocência.
Quando a mocinha do filme descobre não ser humana, mas uma ‘replicante’, percebe que suas memórias não eram suas, tinham sido implantadas dentro da mente no momento de sua criação. Tudo de que se lembrava tinha sido vivido por outra pessoa. Tal chocante descoberta anulava todo o passado e, por conseqüência, também o presente da personagem. A identidade dela era produto da subjetivação de uma outra pessoa e essa revelação parecia levar a um sentimento de inadequação. Entretanto, apesar de não ter passado ou mesmo uma identidade, era possível amar e a partir deste momento ela se reinventa. Para representar tal mudança somente foram necessários que os cabelos dela, até então presos, ficassem soltos.
Sobre o caçador de andróides Deckard ergue-se uma dúvida: seria também ele um ‘replicante’? Entretanto, por mais que tal especulação torne o filme interessante e misterioso, a resposta para tal pergunta não é dada e nem é necessária para se entender o filme. Deixar pistas falsas para o espectador é apenas mais um dos muitos clichês de filmes Noir utilizados nesta produção. O auge dessa dúvida não é representado por diálogos e sim pela a imagem de um unicórnio, que aparece nos sonhos do caçador, mas também é produzida em formato de origami pelo policial Gaff e deixada no chão para servir de aviso. O unicórnio é um animal inventado pelo ser humano, não existe na natureza, assim como o clone ou o ‘replicante’. Scott confirmou a simbologia do unicoórnio em entrevista.
Para Sevcenko, o Angelus Novus, pintado por Paul Klee e analisado por Walter Benjamin, representa o enigmático espírito da pós-modernidade. Os ‘replicantes’ guardam uma semelhança com este anjo. São personagens pós-modernos, pois apesar de olharem tudo com novos olhos sentem-se eternamente oprimidos e preocupados com a morte. A solução encontrada no filme é viver intensamente, até o último instante, e preocupar-se menos com a morte. Os replicantes do filme da mesma forma são símbolos no cinema do conceito de pós-moderno. Isto é o período posterior à modernidade e támbem conhecido por alta modernidade.
Bases ficçionais para clones
Um filme onde alguns detalhes, ou algumas imagens, podem representar a identidade dos personagens é um que dá bastante importância à imagem. Assim, a sensação de já ter visto certas imagens do filme não deve ser entendida como coincidência e sim como uma indicação. Pois é na imagem de um prédio futurístico, igual ao usado em outro filme, que se realiza a homenagem de Scott a Fritz Lang e seu filme imortal, “Metrôpolis” (1927).

As semelhanças entre os dois filmes, porém, não param aí. Metrôpolis é a base de “Caçador de Andróides” por que mostra o sonho de criar uma máquina à semelhança dos seres humanos. São futuros onde impera a tecnologia e a ciência é capaz de criar a vida humana, mas não é capaz de dar conta das pessoas e do social. Enquanto Metrôpolis opõe em dois momentos ordem e caos, Blade Runner apresenta caos desde o princípio.
A origem da discussão em torno da vida artificialmente criada pelo homem começou com o monstro Frankstein, no livro escrito por Mery Sheley no início do século XIX. O final desta discussão nem os cientistas que conseguiram clonar a ovelha Dolly em 1996 podem prever. Afinal, apesar de ter vivido quase sete anos e até ter tido dois filhotes, Dolly, o primeiro clone da história foi abatido para não ter uma morte dolorosa devido ao envelhecimento precoce. O filme Blade Runner apresenta o envelhecimento precoce não como um defeito, mas uma solução para o inevitável surgimento de emoções e sentimentos nos clones programados para servir como escravos, mas também apresenta a liberdade de uma ‘replicante’ sem “prazo de validade”.
UMA NAÇÃO SOB CCTV
abril 16, 2009

A filmagem desapareceu
As mensagens truncadas dadas pela policícia londrina sobre as filmagens feitas por câmeras da CCTV (Circuito Fechado de Televisão) põe dúvidas sobre a necessidade do maior circuito de câmeras de vigilancia do planeta. Londres é a cidade mais vigianda do mundo. Entretanto, quando se trata de coisas de maior relevância como uma morte causada por policias, As filmagens do crime simplesmente deasaparecem.
Iam Tomlinson, morreu minutos depois de ser agredido pela força policial durante um protesto contra o G20. Primeiro a corporação afirmou não existirem filmagens de CCTV do incidente. Depois voltou atrás quando foram provadas a existencia de câmeras filmando tudo. Avisou ao bandido responsável pelo desaperacimentos das filmagens para tomar cuidado.
A tentativa de encobrir o assassinato de Iam Tomlinson mostra-se clara nessa contradição. Se, como diz o graffiti de Bansky “Uma nação sob CCTV”* a Inglaterra é mais vigiada pelas camêras do que por Deus, quem está controlando as câmeras? A resposta violenta da polícia contra as manifestações do G20 alerta para o autoritarismo presente na atualidade.
Novamente, estados autoritários agem ilegalmente. Ao redor do mundo a violêncial estatal tenta calar as vozes se opondo à dominação daqueles por trás das CCTVs mundiais. As vozes se opondo não se calam. O repúdio se mantém presentes nos jornais londrinos. Infelizmente, somente depois da página três.
*One nation under CCTV, no original. Este graffiti foi removido pelas autoridades.
Londres, cosmopolita
abril 10, 2009

Impressões da capital do Reino Unido
Londres sem dúvida é uma cidade cosmopolita. Acostumado com cidades brasileiras, a presença de uma enorme pluraridade de etnias foi o primeiro choque. Interessante, este choque cultural causou uma impressão positiva em mim. Cosmopolita, pensei. Esta palavra ganha novo sentido nas ruas londrinas.
Não se engane. Aqui, as regras são as inglesas. Apesar dos guetos, dos diferentes costumes de culturas de vários pontos do globo, os carros andam do lado esquerdo e a Rainha é a última autoridade. Até em costumes simples como permanecer no lado direito nas escadas rolantes do metrô o jeito inglês de se fazer as coisas transparece. Este aliás é chamado por todos pelo apelido carinhoso utilizado só nesta cidade, tubo.
Andei pelas pontes sobre o Tâmisa, marcas registradas de Londres. Impressionante é a idade delas e também da maioria dos prédios, públicos ou residenciais e comerciais; muitos com centenas de anos. A maioria deles permanece igual por fora, a reforma apenas no interior. Uma obra demole completamente um enorme prédio, mas apenas por dentro. Mantem as paredes exterioeres intactas.
O contraste de alguns prédios modernos, enormes, com o quase constante tamanho de não mais que cinco andares é apenas uma das facetas de uma fascinante característica londrina: a presença de dois elementos possivelmente antagônicos. Este foi segundo choque que senti aqui. Tradição e modernidade, antigos atores de uma dialética muitas vezes resultante em guerra aberta, em Londres andam de mãos dadas.
O fato é ver o maior circuito de câmeras internas e externas utilizado para vigiar uma cidade conviver com chapéis de policiais iguais aos usados séculos atrás. Sem dúvida o sistema de segurança suporta-se mais no CCTV (Circuito Fechado de Televisão) e não nos famosos chapéis dos guardas. Essa tentativa de harmonizar tradição e modernidade é muito importante aqui. Nao à toa foi na Inglaterra inventada a Arte Pop, responsável por unir nas artes tradição e modernidade ao trazer produtos da indústria cultural ao sistema das galerias de arte e academia.
Sentado no parque para apreciar um belo chafariz de luz e cores saindo do chão. Uma combinação com o mínimo eletementos e muita técnica de engenharia. O parque cheio de árvores com aparencia de serem bem antigas. Pessoas passando, com muitos casacos. Assim com carros acopanhados de sua sonóra sinfomia. Sirenes e motos completavam a música urbana. Algumas músicas inclusive tocavam, em algum lugar.
A sinfonia de Londres é feita de contrastes. Mas muito diferente dos contraste brasileiros de riqueza natural e pobreza econômica, ou simplesmente entre ricos e pobres, como fica explícito quando vemos lado a lado a favela da Rocinhae o chique Bairro de São Conrado, no Rio de Janeiro. O contraste londrino é entre modernidade e tradição. Este é explicito na vista do Tâmisa onde vemos o clássico Big Ben de em uma margem e o moderno London Eye na outra, compondo uma paisagem única e impressionante.
A morte de Iam Tomlinson
abril 10, 2009
Morto por polciais durante o G20
A morte de Iam Tomlinson, durante a cúpula do G20 em Londres causou choque na população londrina. Cartas de leitores indignados com a truculencia policial estampavams as páginas dos jornais diários. Um comentário frequentemente ouvido é mais uma vez prevalerá a impunidade.
Não se enganem cariocas, não é só a nossa políca uma corporação manchada pelas vicissitudes daqueles incorporados a ela. Isso nos leva a uma interessante conclusão: a polícia, enquanto instuição é monsrtuosa, não importa o local. Como a maioria prefere não ficar à merce do ladrão, a polícia deita e rola. Matar inocentes por prazer é só uma faceta de quem está ali para servir e proteger. Assim é, ao menos em tese.
Quando um evento como o G20 gera revoltas contra as forma como os governantes fazem seu trabalho, coisa normal numa suposta democracia (não?), a polícia reprimi violentamente. A mensagem é clara, o poder não quer ouvir o povo ou qualquer tipo de oposição. Democracia?
A morte do jornaleiro Iam Tomlinson não será esquecida. Os amigos se lembram dele como um bêbado pacífico. O mundo lembrará de mais uma morte provando a inexistência desta estranha obra de ficção chamada Democracia.

